O fraseador
O poder da palavra poética está além da ideia. A sutileza do verbo é
algo a ser mensurado com carinho e cuidado, sem ser quadrado. O resto é mera
panaceia. É como “faca de dois gumes” agudos, poderosa, podendo trazer a paz
airosa, ou a guerra subliminar, portanto, cortante de ambos os lados; ideias as
quais advêm de além-cume, cujo azedume deve ser trasladado à fino perfume. Se
for preciso seja normal ao mudar de ideia para que o bem suplante o mal.
Dizem que o amanuense deve ter nascido assim; uns dizem ter sido
acometido por fatores congênitos advindo de negros querubins, outros sido
atacado pelo vicio de escrever, comparam-no a um jogador inveterado de doer,
viciado em carteado, jogador de futebol alienado, de pseudovivaldino em
cassino, de esquizofrênico das letras, enfim: de sonhador, sofredor de
frenesim, afinado em complexo feminino, quiçá, um cigano transtornado em
ladino ou afim, quiçá, exilado beduíno num deserto dependurado prá lá de
Marrakesh longe de Bangladesh...
Amanuense é o escriturário da literatura extrafísica, que deve funcionar
como filtro de pensamentos difusos, haja vista a grande responsabilidade
indutora de suas palavras, recebidas dos orbes astrais. O mal e o bem são
ideias que plasmam nas vidas reais, se a inspiração for boa, com certeza as
obras também o serão. E se for maligna os atos as contraporão.
Pensando bem, o seu inocente jogo pode não ser prejudicial, bem como
pode fazer muito mal, já que faz uso duma arma fatal, a mais forte que existe:
a palavra sutil, a única que subsiste; mesmo que seja chiste da vida mortal;
que tem o poder de induzir sem muito refletir, encaminhando à lavagem mental
do seu leitor ideal e tudo isso se dá pelas suas frases escritas dentro da boa
ou má inspiração restrita... Com o passar dos anos o poeta percebe que uma
força estranha o domina, porém, começa a entender que essa força tem nome:
Missão ou Sina que fascina, quiçá, seja divina. Então pensa consigo mesmo e
analisa os fatos históricos dos sistemas caóticos: Haja vista o rumo da
humanidade a qual segue peremptoriamente seus antigos líderes políticos,
religiosos ou idealistas, e seus preceitos grafados em velhos pergaminhos de
muita idade dentro de extensiva lista, e não há quase nada que se possa fazer
para mudar o seu caminho, pois, entrega a própria vida em nome de sua visão
mesquinha adquirida...
Disseram por aí, há milênios, que existem céus de eternas e gloriosas
vidas, e infernos onustos de arsenais robustos, e o medo toma conta dessas
cabeças bruscas as quais dentro de suas conveniências convexas agem de acordo
com seus condicionamentos mentais anexos. Ao final vemos que a história
registra a destruição do homem com seus conceitos e preceitos de tacanhos
ideais imperfeitos.
O fraseador que se preza procura a auto-conscientização de suas
escritas, para não se auto-corromper, até porque, deve crer piamente na
responsabilidade do que tem de escrever. A mente humana é muito sensível à
indução. Se a mente religiosa for talhada para matar ou morrer até de fome em
nome de seu deus, com certeza o fará sem problema de consciência tal a
ambivalência que considera nobre ao mais perfeito ateu. Temos visto isso
ocorrer nos meios religiosos, e porque estamos falando de religiosidade neste
contexto de simplicidade, simplesmente porque se não há o consenso do bem
nesse ambiente santificado pelo desejo de ganhar a salvação de Deus qual a tem
muito além, então quem dirá fora desse metiê à mercê do aquém...
O fraseador continua um pensador inveterado sem se importar com o que
digam a seu respeito, certo ou errado, pois, aprendeu a cumprir sua missão de
trazer ânimo, saúde e alegria à alma malfadada pelo seu pseudopecado e, que a
considera de direito.
Assim crê em sua verdade extrassensorial, muito embora, não passe de
mais um mero aprendiz de sua musa inspiradora real...
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